domingo, 21 de dezembro de 2008

Post 4: Sobre produção, locação e Reencontro dos amigos de Santa Tereza


Depois de fechar o roteiro em 13 cenas era hora de começar a pré-produção. Marcamos de encontrar sábado, no bairro Santa Tereza, para procurar locações e tentar conseguir as refeições, os objetos de cena, etc. Como já havíamos fechado o dia das filmagens, 13 e 14 de dezembro, poderíamos já deixar tudo acertado se conseguíssemos alguma coisa. Vale lembrar que não temos 1 real pra investir no filme, e isso significa que temos que conseguir apoio pra tudo.

Antes do referido sábado, na véspera, sexta-feira, a Márcia, assistente de produção, já havia conseguido a casa para as cenas internas e um bar anos 70 para outras duas cenas. Resolvemos visitar as duas locações na sexta mesmo, à noite. Bom, quando chegamos no bar, o dono já desistiu de cara e nem quis saber de nada. Também, chegamos no lugar colocando a maior banca, dizendo “isso vai sair, isso aqui a gente passa pra lá, isso a gente coloca ali, isso aqui leva embora” e por aí vai. Mas até que foi uma boa o dono ter furado, pois tinha tanta goteira no bar que teríamos o maior trabalho para proteger o equipamento.

A casa foi super tranqüila. Na verdade, na casa funciona um estúdio de música chamado “DigiAudio”. E aqui vai meu agradecimento ao Karel, dono da casa e do estúdio, por nos ter cedido a locação com a maior boa vontade do mundo e o mais importante, de graça. Com a casa acertada, decidimos dar mais uma volta, já que o Pipo, o câmera, queira nos mostrar uma rua que seria ideal para uma cena do filme, visto que as casas eram antigas e a rua deserta. E realmente a rua era exatamente como eu tinha imaginado quando escrevi o roteiro. Como ainda não estávamos satisfeitos, fomos atrás de um bar. Eu sugeri o bar do Orlando, na praça do Cardoso, e lá fomos nós. Conversamos com o seu Orlando e ele topou. Tínhamos conseguido quase toda a locação. Só voltava agora duas casas para filmarmos as externas e um quartinho dos fundos, onde geralmente a gente guarda as coisas que não queremos mais usar, no entanto também não queremos jogar fora.

Marcamos no sábado, eu, a Barbara e o Paulo Henrique, meu chara e diretor de fotografia. Iríamos procurar o restante das locações e já acertar na casa do Karel posicionamento de câmera e iluminação, para ver se realmente dava para filmar ali. Como de fato constatamos que dava. Levamos uma câmera digital e inclusive filmamos alguns enquadramentos de como seriam as cenas, o que foi muito bom, já que depois mostramos os vídeos para os atores que já começaram a ensaiar sabendo exatamente como seria no dia das filmagens.

Bom, eu e a Barbara chegamos no horário, o Paulo Henrique chegou umas três horas depois. Enquanto esperávamos, visitamos duas vilas em Santa Tereza esperando usá-las para as externas, mas nenhuma agradou. Porém, sem querer, achamos um lote com uma casa enorme desabitada e sem telhado, e que no fundo tinha um quartinho perfeito para o filme. Perguntando um, perguntando outro, conseguimos o número do proprietário, que também nos cedeu o espaço com a maior boa vontade do mundo.

Quando o Paulo Henrique chegou, descemos para o bar do seu Orlando para ver enquadramento, luz, essas coisas. O bar tinha alguns problemas, mas dava pra filmar. Só que, quando chegamos na praça do Cardoso, estava acontecendo o 6º Reencontro de Gerações dos Amigos de Santa Tereza. Aproveitamos para almoçar um feijão tropeiro, tomar algumas cervejas geladas, comprar camisetas do encontro e tirar algumas fotos. Depois de abastecidos e uniformizados, formos para a casa do Karel.



Da esquerda para a direita: Paulo Henrique (diretor de fotografia), Barbara (produtora) e eu (diretor).


No fim da tarde, o Paulo Henrique tinha que ir embora, contudo Barbara e eu sentamos no bolão, pedimos mais cervejas e começamos a ler e reler o roteiro. Depois dessa cervejada o roteiro ganhou seu terceiro tratamento. Pois havia ganhado o segundo nas skols da cantina da Escola Livre.

Na segunda-feira seguinte ao sábado, depois do balanço geral do primeiro fim de semana de pré-produção, havíamos conseguido fechar todas as locações e fechar com dois restaurantes o almoço e a janta de sábado. Muito proveitoso. Fazer produção é muito cansativo, mas percebi que as pessoas têm uma boa vontade tremenda de ajudar. Eu, sinceramente, achei que seria mais difícil e que a gente gastaria mais tempo para conseguir tudo. Mas no final das contas, ouvimos mais sim do que não.

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