quarta-feira, 24 de junho de 2009

Post 13: Sobre sincronismos de fala, doença e atrasos


Muita coisa aconteceu na minha vida nos últimos meses, inclusive o lançamento do filme e pensei seriamente se iria postar mais algum comentário no blog. A pedido de alguns amigos resolvi sentar na frente do computador e escrever esses dois últimos posts para encerrar o blog e também a saga do curta “Aquele que está lá”.

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Depois que o Paulo Henrique (montador) levou a cópia do filme no HD externo e a transferiu para a ilha de edição começou uma verdadeira batalha com o sincronismo. A princípio, a idéia era chamar todos os atores para dublarem todas as cenas, contudo o próprio Paulo Henrique sugeriu que a gente usasse o som off. O som off é o áudio pós-cena captado pelo responsável pelo som direto durante as filmagens. Depois de filmada a cena, o técnico do áudio pede silêncio no set e grava todo o diálogo dos atores de novo, só que agora, no nosso caso, sem o barulho ensurdecedor da câmera. E era justamente esse áudio que o Paulo Henrique queria aproveitar nas cenas. Sentamos na ilha de edição e começamos a sincronização, fala por fala, palavra por palavra. Além de não ser um trabalho fácil, o dia não rendia e ao final de três ou quatro horas havíamos terminado de compor a fala de apenas 30 segundos, quando nem isso. Numa cena de 2 minutos, levávamos mais de uma semana para terminá-la. E ainda faltando os sons de cobertura, como de televisão, carro, passos, portão abrindo, tiros, etc.

Mas isso não é nem o começo. Durante o período de montagem passei mal e fiquei internado no hospital por uma noite. Depois do susto e já recuperado voltei para a Escola Livre de Cinema para dar prosseguimento à edição. Porém, para completar o meu azar, não foi possível editar o filme nesse dia, pois a luz havia acabado por causa de uma tempestade no bairro Santa Tereza. Já pensei, meu Deus, esse filme não vai sair, não vai dar tempo. E para confirmar a minha onda de azar, não sei se já comentei esse problema aqui, mas não havia o som off de todos os diálogos do filme. Assim, seria preciso dublar duas cenas específicas. Só que um dos atores não estava em Belo Horizonte. Havia viajado para Portugal a trabalho.

Tudo isso começou a me assustar. Não será isso um sinal? Deixada a superstição de lado, continuamos a luta pelo sincronismo, isso com o Cláudio (produtor executivo) nos dizendo que estávamos atrasados e não conseguiríamos entregar a cópia pronta para o dia do lançamento. Para dizer a verdade, nem eu acreditava que iríamos entregar a cópia finalizada e pronta no dia do lançamento.

Como o trabalho estava atrasado e eu um pouco estressado com tudo que estava acontecendo, tirei quatro dias de folga nesse interstício e fui para Tiradentes, na mostra de cinema. Da mostra, recomendo dois filmes: “Dossiê Rê Bordosa” e “Os filmes que não fiz”. Dois excelentes curtas.

Voltando para Belo Horizonte, o Paulo já havia terminado de sincronizar todos os diálogos, exceto das duas cenas que não tínhamos o áudio. Como, para minha sorte, o Lindomar Oliveira (Raul) já havia voltado de Portugal, convocamos os atores e realizamos a dublagem. Depois eu acabei me arrependendo, pois destoou bastante do resto do áudio. Mas enfim, prefiro pensar que não tinha outra solução.

Com todo o áudio já montado restava apenas as duas falhas de continuidade para corrigir. Bom, com um passe de mágica o Paulo Henrique mais o Pipo (câmera) bolaram uma solução e sumiram o táxi que aparecia em uma cena. Ou seja, um dos problemas cabeludos já havia sido resolvido e agora só faltava um que, no final das contas, resolvi manter no filme. Para uma pessoa mais atenta esse erro não vai passar despercebido, como outros ao longo do curta, mas eu acho que a maioria das pessoas que o assistirem não vão notar a descontinuidade e o filme vai rolar numa boa.

Contudo alguns pequenos ajustes ainda precisavam ser feitos. Mas deixo essa para o próximo post.

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