domingo, 1 de fevereiro de 2009

Post 11: Sobre montagem, granulação e pequenos grandes problemas


Confesso que já estava curioso para ver o material bruto das filmagens e conter a ansiedade até o dia 12 de janeiro não foi fácil. Mas, enfim chegou o dia. Chequei na Escola Livre de Cinema e o Cláudio (professor e dono da escola) já foi me entregando a fita VHS em que estava o bruto, com as imagens na seqüência das filmagens. Coloquei a fita no videocassete, apaguei a luz e apertei o play. Assisti sozinho aos 10 minutos de filme. Confesso que senti um pequeno mal estar ao final da última cena. Aos poucos a turma foi chegando e cada vez que alguém assistia, eu via o filme novamente.

Antes de colocar a fita, o Cláudio já havia me avisado que o filme estava um pouco granulado. Mas quando vi a primeira imagem parecia que havíamos gravado em Super 8. Quando o Cláudio fez uma piadinha dizendo pra gente aumentar o som da televisão, porque no cinema o som é gravado separado da imagem, e, obviamente, aquela cópia em VHS não tinha som, eu quase peguei carona na piada dizendo: “aproveita para colocar uma antena na TV, pois está chuviscando muito”. Tudo bem que na cópia em VHS os grãos são mais acentuados, e depois na montagem há como eliminar um pouco o excesso, mas minha primeira impressão foi assustadora.

Quando a turma já estava toda reunida começamos a apontar os problemas. Principalmente dois. Um erro de continuidade e um bendito de um táxi que apareceu na cena, na hora exata que estávamos gravado com a câmera 16mm. Para ser sincero, eu não lembro de ter visto esse táxi passado no dia da filmagem. Eu até escutei alguém comentando alguma coisa sobre um táxi, mas foi tanto desespero no dia que nem me atinei para isso. Depois a Barbara me contou que o taxista teve o trabalho de parar o táxi próximo ao cone da BHTRANS que fechava a rua, sair do carro, arredar o cone para o lado, entrar no carro novamente e passar na rua no exato instante da gravação. É muito azar.

Depois do debate da turma, a conclusão foi que dava para consertar. Para relaxar, fomos para um buteco em Santa Tereza e bebemos uma de leve.

No dia seguinte, o Osvado (assistente de câmera) levou o DVD com a cópia do making off do segundo dia de gravações e uma cópia do filme editado por ele. Nessa cópia ele propôs uma mudança na seqüência narrativa do filme, que eu assisti bastante receoso. Principalmente por achar que naquela montagem a idéia que eu queria passar com o filme se perderia em meio uma “violência gratuita”, por assim dizer, não querendo contar mais sobre a estória para não perder a graça do filme. De qualquer forma, era uma proposta e eu tinha que estudá-la. Levei os DVDs para casa e comecei a assistir compulsivamente.

Antes disso, era hora de passar a cópia telecinada para dentro do computador e começar a edição. Só que, como tudo no mundo da tecnologia, o computador não conseguia reconhecer o cabo da câmera minidv em que o filme estava. Depois de uma luta de 3 horas, aproximadamente, o Paulo Henrique (diretor de fotografia e agora montador) e o Osvaldo, vencidos pela máquina, desistiram. O Paulo Henrique resolveu levar a fita para casa e baixar o filme lá, levando-o no dia seguinte em um HD externo.

Bom, já sei que amanhã começa a luta. Além desses problemas, temos que pensar nas transições de cena, algo que já me preocupava desde as filmagens, e também em sincronismos de fala, cor, luz, elementos de som para compor a cena, etc.

Trabalho não vai faltar. Já estou vendo que vou dormir muito pouco até o dia do lançamento do filme.

2 comentários:

Unknown disse...

Continuo acompanhando o blog, fiquei curioso pra ver o resultado. Farei o possível pra estar presente no dia da apresentação.
Parabéns cara!

Paulo de Castro disse...

Aguardo sua presença lá no sábado!
Se tudo der certo... O trem tá punk!