Todo mundo num filme é muito importante. E para que tudo dê certo, todo mundo tem que fazer muito bem a sua parte. Mas, sem dúvida nenhuma, boas interpretações fazem toda a diferença. E esse era outro desafio, conseguir bons atores, de graça, pois não tínhamos grana pra cachê e não tínhamos muito tempo para ensaiar.
Colocamos um anúncio e aos poucos alguns atores começaram a se interessar. Fechamos com 4 para realizarmos um teste no domingo, na casa da Barbara (produtora). Na verdade, nós precisávamos de 5 atores para o núcleo central do roteiro, ou melhor, 5 para os personagens que tinham fala. Os demais seriam figurantes ou não teriam fala. Acabou que fechamos com os 4 que apareceram no domingo e no meio da semana acertamos com o Gustavo Martins e fechamos a trupe principal.
Bom, aqui vai meu agradecimento aos atores. No domingo a galera não só leu o roteiro, fez o teste, como também topou passar todas as cenas para que eu pudesse filmar e editar depois em casa para saber exatamente o tamanho do filme. O velho problema de 14 laudas para 11 minutos de negativo. Digo que tenho que agradecer aos atores, pois ficamos de 9 horas da manhã até às 15 horas sem comer nada. Aqui vai um agradecimento também a minha namorada, que além de acompanhar os ensaios passando fome, me deixou ficar assistindo e editando os filmes até altas horas de domingo.
Ensaio, ensaio, ensaio. Esse era nosso lema. Tínhamos pouco tempo e cada segundo era valioso. Como a Mayara (a atriz que fará a Dadi) conseguiu com a UFMG um espaço na Escola de Belas Artes, era hora de colocar a mão na massa. E como a Barbara fazia teatro, fiquei tranqüilo, pois ela conduziria o elenco durante os ensaios. Só que coincidentemente, o horário que todos os atores tinham livre, inclusive eu, era exatamente o horário que ela fazia as benditas aulas de teatro. Meu Deus do céu, eu bibliotecário, teria que acompanhar os ensaios de atores que estudam teatro, sem entender patavinas do negócio. Bom, se você entra numa chuva é pra se molhar...
Já no primeiro ensaio detectamos que o Lindomar (o ator que fará o Raul na estória) estava tendo dificuldades para encarnar o personagem. Como eu também não conseguia passar exatamente o que eu queria, todos os demais atores: Gustavo (que fará o Hélio), Mayara, e o Valetim (o rapaz) fizeram vários comentários pertinentes e ajudaram demais para que o ensaio rendesse e até para que todos nós, inclusive eu, entendêssemos melhor a estória e entendêssemos melhor o personagem do Raul.
Mesmo assim, mesmo com todos os ensaios, não estava sentindo confiança no Lindomar. Não conseguia ver na atuação dele o Raul. Assim, decidi testar outro ator para o papel. Situação difícil a minha, pois o Lindomar estava se esforçando muito para fazer o personagem, estava comparecendo a todos os ensaios e sem cobrar nada, nem cachê, nem passagens, nem lanches, nada. Mesmo assim, tinha que pensar no resultado final do filme, e testar outro ator parecia a melhor solução no momento.
O outro ator foi o Leo. Ele fez bem o papel, mas tinha um pequeno grande problema. Não tinha tempo para ensaiar. Aí percebi o quanto era ambíguo e difícil o personagem do Raul. E percebi que um ator só conseguiria fazer bem o papel se realmente estudasse a fundo o personagem e ensaiasse muito, não só nos ensaios com todo o elenco, mas em casa, no trabalho, e onde quer que fosse. Ai, como o Lindomar tinha mais tempo, acabou melhorando bastante durante o processo e foi encontrando o personagem no seu tempo e isso foi muito bacana. Acompanhar esse desenvolvimento do personagem foi para mim um aprendizado e tanto.
Teve dias que os ensaios se concentraram apenas no Lindomar, e olha que o personagem do Raul tem apenas 4 cenas no filme. Mas são 4 cenas importantíssimas. Principalmente porque acho que o Raul é o grande personagem desse filme. Acertado o Lindomar, o Leo ficou com outro papel que ele aceitou com prazer.
A Mayara também foi importantíssima nos ensaios, principalmente no dia que ela perdeu uma peça que iria assistir para me dar uma mão com o Lindomar. Ela foi uma baita preparadora de elenco, até no último minuto, pouco antes das gravações. Além disso, ela prometeu emprestar o Lucas, seu sobrinho de 1 ano, para fazer o personagem do Juarez, seu filho no filme. E aproveito para pedir desculpas ao Gustavo Martins (dono do bar) que no primeiro dia que nos conhecemos, eu acabei o colocando num ensaio pesado, conduzido pela Mayara. E já que é para agradecer, devo um agradecimento especial ao Gustavo Marquezini que cedeu sua casa para um ensaio, e bem no dia da festa de aniversário de sua irmã. Pena não ter tido tempo para ficar mais tempo na festinha.
No feriado do dia 8 de dezembro, eu, a Barbara e o Pipo (câmera) levamos os atores para as locações e fizemos um ensaio de como seriam as cenas. Foi muito bom, pois deu para os atores e a equipe já se ambientarem. Como temos que gravar 13 cenas em apenas 2 dias, não podemos perder tempo no dia das filmagens. Tudo tem que estar preparado. Planejamento é a palavra de ordem.
Por último, fica só uma recordação importante. Durante o último ensaio na Escola de Belas Artes, estávamos passando uma das cenas mais tristes do filme. Isso porque eu filmei alguns ensaios para que os atores pudessem assistir e corrigir alguns detalhes de posicionamento, de gestos, etc. Nesse, especificamente, alguém numa sala ao lado, colocou uma música que encaixou como uma luva na cena e trouxe uma tristeza que ela, por si só, não poderia trazer. Foi algo tão inesperado e que acabou resultando numa cena tão linda, que mesmo sem cenário, figurino, etc. eu tenho dúvidas de que a cena do filme possa ficar tão bonita quanto essa gravada na minha câmera digital e que eu assisto, hoje, nostalgicamente...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Post 5: Sobre ensaios, ensaios e ensaios
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2 comentários:
Parabéns pela vitória do seu roteiro e, antes de tudo, por estar fazendo algo que gosta. A idéia de relatar todas a etapas da construção do curta foi muito boa. Te digo que acompanhei o blog do Fernando Meireles quando ele filmava "Ensaio Sobre a Cegueira", assisti o filme com outros olhos.
Continue postando no blog e manda ver no curta!
:]
Valeu demais Roger! Na verdade, os eventos aqui narrados já aconteceram. Na época não tive tempo de escrever os texto, só rabiscar alguns detalhes para não esquecer. Em janeiro começa a edição!
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