Agora é a hora de explicar o título do blog. Pois bem, “Aquele que está lá” é o título do roteiro que escrevi para a disciplina citada no post acima. Na verdade, toda a turma tinha que escrever um roteiro e a mesma turma decidiria qual roteiro iria ser filmado. Porém a disciplina de roteiro seguia a todo o vapor e nada do professor cobrar o roteiro da turma. O meu já havia sido escrito há muito tempo. E isso não era mérito meu. A maioria da turma já havia escrito o seu roteiro e só estávamos aguardando o chamado do professor.
E eis que no último dia da aula de roteiro, o Lucas (aluno da escola) cobra do Cláudio (Costa Val) a correção os roteiros. E eis que o professor Cláudio nos responde a questão com outra: “por que ninguém me entregou o roteiro? Já era para terem entregado”. Ora, não entregamos porque não sabíamos que era para ser entregue e porque ele não havia o exigido. Enfim, na outra semana entregamos os roteiros.
E nesse meio tempo começou a disciplina de direção com o mesmo professor. Nada obstante, durante essa, ele lia os roteiros e fazia pequenas sugestões, e nós, como bons alunos, as acatávamos. Perdão, nem todo mundo acatava as sugestões, mas isso é outra história. No entanto não havíamos decidido qual roteiro seria o escolhido para ser filmado. E começa mais uma novela. A disciplina de direção seguia a todo vapor, porém nada de escolher qual roteiro seria o filmado.
Com a demora você acaba relendo várias vezes o seu roteiro e inevitavelmente vai começando a achar que a coisa não era para ser assim, que a estória é ruim, que os diálogos são forçados, que nada empolga e por aí vai. Nesse sentido, comecei a bolar uma outra estória, que parecia mais viva, mais instigante e tal. Claro, seria tudo isso até ela entrar na geladeira e depois de várias leituras compulsivas, eu ter certeza de que nada daquilo era bom. Escrevi o outro roteiro, mas não o coloquei na roda.
Porém o Lucas, na semana seguinte, apresentou um segundo roteiro para o Cláudio. Aí pensei: “vou mostrar o meu também”. E foi o que fiz. Porém o meu segundo roteiro acabou sendo censurado. O Cláudio, categoricamente, disse que ele não podia ser filmado pela escola. A justificativa era que havia uma cena muito pesada, com um diálogo muito chulo, e que isso seria ruim para a imagem institucional da escola. Fazer o quê? Minha primeira experiência com os produtores executivos já não havia sido boa.
Com o meu segundo roteiro censurado, voltei a olhar para o “Aquele que está lá” com o olhar mais generoso e vazio de cobranças. Nesse meio tempo, já no fim da disciplina de direção, quando o Pipo (outro aluno da turma) também entregou seu segundo roteiro, o Cláudio viu que já era hora de definir qual seria o roteiro a ser filmado.
Como havia emprestado meus dois roteiros para outros alunos da turma cheguei no dia da escolha sem nenhum dos dois em mãos. Porém, antes de começar a aula, uma aluna do turno da manhã havia me dito que precisaria do roteiro, pois ele seria apresentado por meio de uma leitura dramática. Arrependido de não ter trazido uma outra cópia do roteiro, perguntei: o que é leitura dramática? Não consultei nenhuma fonte, portanto vou apenas transcrever o que foi me dito: leitura dramática é o ato de ler um roteiro buscando um início de representação, de dramatização. Nesse sentido, a didática era que o autor do roteiro iria ler a rubrica (parte do roteiro que descreve a ação, por exemplo, Pedro entra no carro.) e os demais da turma iriam ler o texto de um determinado personagem.
Para complicar minha situação, a Barbara, que tinha levado o roteiro do “Aquele que está lá”, o havia esquecido no carro de um amigo. Entretanto, para minha sorte, o Cláudio me permitiu imprimir uma cópia do roteiro na escola. Não vou entrar em detalhes a respeito da leitura dramática, pois acho que todos já devem imaginar a piada que foi. E deveras, foi divertidíssimo. Tanto que ultrapassamos o horário de aula certa de uma hora para dar conta de ler todos os roteiros. Como o tempo já havia expirado e muito, decidiu-se fazer a votação na próxima aula de direção, dentro de uma semana.
Chegado o dia, havia apenas uma regra. Nós não podíamos votar no próprio roteiro. O voto era secreto para evitar que manipulássemos o voto para o nosso roteiro ganhar. Depois de esperar a turma terminar de chegar, pois como qualquer turma, sempre há uma galera que chega atrasada, começamos a votação. Eu, o Lucas e o Pipo tivemos que escolher qual roteiro nós colocaríamos na roda, já que cada um havia escrito dois. Com relação a minha escolha, não era difícil imaginar que escolheria o “Aquele que está lá”. Nisso, 6 roteiros entraram na disputa: o da Barbara, o meu, o do Lucas, do Pipo, da Janaina e do Douglas. Outra coisa muito importante é que havia duas pessoas na turma que estavam presentes na votação, mas não tinham escrito roteiros.
Terminado a votação, começou a contagem dos votos. E para a incrível surpresa de todos, na abertura do penúltimo voto, todos os roteiros que estavam concorrendo ganharam 1 voto. Ou seja, haviam sido abertas 7 cédulas e cada uma dava o voto há um roteiro distinto. Digo 7, pois um voto foi em branco. E dá-lhe tumulto. Pois, de certa forma, quem vota em branco, numa situação dessas, favorece o próprio roteiro, ao passo que não dá um voto para o concorrente. Discussões à parte, na abertura da última cédula, grande apreensão. E eis que o meu roteiro ganha o segundo voto e vence a eleição. Para a minha grande alegria, e também surpresa, pois até então não sabia, eu ganhei o direito de dirigir o curta, direito esse dado ao dono do roteiro escolhido, se assim o desejar. E é lógico que eu aceitei o convite.
No final das contas, todos revelaram os seus votos. E nisso começou outra acusação. De que eu havia votado num roteiro sem chances de vitória para favorecer o meu roteiro. Isso porque o Cláudio havia dito que esse roteiro era impossível de ser rodado por considerá-lo muito longo, o que de fato era. Aí vai a minha defesa. Não havia roteiros sem chances de vitória, pois eu não sabia em qual as outras pessoas da turma iriam votar. Segundo, se o roteiro em que votei ganhasse, ele iria ser filmado. Com certeza, não seria rodado em película, mas seria filmado em digital. E terceiro, eu poderia votar em qualquer dos roteiros que estavam concorrendo, uma vez que, se estavam concorrendo, é porque tinham o direito de ser filmados. De certa forma esse roteiro foi alvo de censura, mais branda do que a do meu segundo roteiro, mas havia sido uma forma de censura. Nisso, reforço minha defesa dizendo que o meu voto foi um voto de protesto também. E quando votei nesse roteiro, como voto de protesto, foi no desejo de que ele fosse filmado sim.
Polêmicas à parte, fui feliz para casa, pois teria meu roteiro filmado e ainda seria o diretor.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Post 2: Sobre roteiros, leituras dramáticas e censura
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2 comentários:
O primeiro roteiro acompanhado de repreensão! Ainda bem que existem produtores brasileiros que gostam de provocar, do contrário, Cidade de Deus jamais seria filmado... as cenas são pesadas, há mtos diálogos chulos...
De certa forma quem produziu Cidade de Deus foi a O2 Filmes, do Meirelles... Essas coisas acontecem... Fica mais um aprendizado!
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